A pedra na vesícula biliar, também conhecida por colelitíase, é a presença de cálculos na vesícula biliar na forma de pequenas pedras. A vesícula biliar é um órgão que se encontra junto (“grudada”) ao fígado e funciona como um reservatório de bile, substância que auxilia no processo de digestão. A bile é produzida pelo fígado e armazenada na vesícula biliar, que libera a bile para o intestino/duodeno durante o processo de digestão.

Não existe uma causa específica para a formação dos cálculos na vesícula. O que se sabe é que ocorre um desequilíbrio dos componentes da bile dentro da vesícula que estimula a formação dos cálculos.

O cálculo na vesícula é uma doença bastante comum —  cerca de 10% da população mundial apresentará o problema em algum momento da vida. Os grupos mais atingidos pela doença são mulheres, maiores de 40 anos de idade, obesos e pessoas que apresentam histórico da doença na família.

Sintomas

Os sintomas de pedras na vesícula podem ser bastante intensos e graves. O mais comum deles é dor ou desconforto na região superior do abdome (parecida com cólicas) no lado direito ou então na “boca” do estômago. Essas dores em geral surgem após as refeições e duram cerca de duas horas, geralmente associadas à sensação de estufamento, enjoos e má-digestão. Muitas pessoas confundem os sintomas de pedra na vesícula com simples problemas digestivos.

Quando paciente apresenta os sintomas descritos acima por mais de 6 horas, é sinal de que o quadro pode estar evoluindo para um colecistite aguda. Nesses casos, o cálculo obstrui de forma permanente o canal de saída da vesícula, causando uma inflamação aguda. Além desta complicação, pacientes com cálculo na vesícula podem apresentar pancreatite aguda. Esta é uma complicação grave, causada pela saída de uma pedra da vesícula para o canal principal da bile e do pâncreas, causando inflamação da região.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico da doença é feito por ultra-sonografia ou ecografia de abdome. A forma mais indicada para o tratamento para a colelitíase é a retirada da vesícula biliar, procedimento conhecido como colecistectomia. Outras formas de tratamento, como a simples quebra ou retirada das pedras não costumam trazer bons resultados.

A cirurgia da vesícula costumava ser realizada com uma grande incisão no abdome, que além do mau resultado estético, causava muita dor no pós-operatório. Atualmente, a melhor forma de realizar a cirurgia é através de técnicas mini-invasivas, conhecida como laparoscopia. Nesta técnica, são realizadas pequenas incisões (“furinhos”), em que o cirurgião coloca uma câmera dentro do abdome que permite visualização dos órgãos e a realização do procedimento com instrumentos finos e delicados. Para criar dentro do abdome o espaço necessário para o uso dos instrumentos, é insuflado gás carbônico, que é rapidamente reabsorvido no final do procedimento.

A cirurgia é procedimento padrão no tratamento de pacientes que apresentam sintomas de cálculos biliares. Nos pacientes em que as pedras foram encontradas ao acaso, é recomendado o acompanhamento por um médico especialista.  A idade do paciente, histórico de doenças e a quantidade e tamanho dos cálculos também são fatores importantes na hora da decisão entre cirurgia e observação.

Recuperação e Complicações

Após a cirurgia de retirada da vesícula, os pacientes não necessitam seguir nenhuma dieta especial. A bile continua sendo produzida no fígado e eliminada no duodeno para auxiliar no processo de digestão, a única diferença é que não será mais armazenada na vesícula biliar.

A internação da maioria dos pacientes é de apenas um dia. Dentro de uma ou duas semanas, pode retornar ao trabalho e realizar todas as atividades, inclusive esportivas. A dor pós-operatória é pequena e o resultado estético muito bom.

Como qualquer procedimento cirúrgica, a colecistectomia laparoscópica tem riscos e complicações, ainda que bastante incomunds. As complicações mais comuns são: infecção de pele e sangramento. Outras complicações como conversão para cirurgia convencional (“corte”), lesão de intestino ou via biliar e anestésicas também podem ocorrer. Os riscos da cirurgia são mais comuns nos pacientes que apresentam doenças graves ou complicações, como colecistite aguda e pancreatite no momento da operação ou ainda que sofreram múltiplas crises de inflamação.