O refluxo gastro-esofágico (RGE) é uma doença caracterizada pela “volta” do ácido produzido dentro do estômago para dentro do esôfago. A maioria das pessoas pode apresentar um pouco deste refluxo, chamado fisiológico, principalmente quando faz ingestão de grande quantidade de alimentos, deita logo após as refeições ou ingere chocolate/café/ vinho etc. Entretanto, estes episódios são esporádicos. Já nos pacientes com refluxo dito “patológico”, os sintomas decorrentes do retorno do ácido para o esôfago são intensos e freqüentes.

refluxo gástrico

Causas

A principal causa de RGE é a presença de hérnia de hiato. A hérnia de hiato ocorre quando a transição do esôfago e estômago, que deveria ocorrer dentro do abdome, “sobe” através do hiato esofageano e passa a se encontrar dentro do tórax.

Na transição entre o esôfago e o estômago, existe uma válvula/esfíncter, conhecido como esfíncter esofágico inferior, que é responsável por evitar que o conteúdo do estômago volte para dentro do esôfago. O enfraquecimento ou hipotonia deste esfíncter, permite o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, e  é o principal responsável pela doença do RGE.

A principal causa de RGE é a presença de hérnia de hiato. A hérnia de hiato ocorre quando a transição do esôfago e estômago, que deveria ocorrer dentro do abdome, “sobe” através do hiato esofageano e passa a se encontrar dentro do tórax. Além disso, obesidade, tabagismo, cafeína, álcool, achocolatados podem pioram o refluxo.

Entretanto, alguns pacientes apresentam RGE sem necessariamente apresentar hérnia de hiato.

Sintomas

Cerca de 5% das pessoas apresentam sintomas diários da doença do refluxo, enquanto outros 15% apresentam sintomas freqüentes. Os principais sintomas são a queimação no esôfago (azia, pirose ou esofagite) e dificuldade para engolir alimentos. Também é comum os pacientes apresentarem gosto amargo na boca. Estes são conhecidos como sintomas “típicos” do refluxo. Além deles, alguns pacientes podem apresentar: queimadura/irritação na garganta, tosse crônica, rouquidão e sensação de engasgo noturno – os chamados sintomas “atípicos”.

Diagnóstico

O diagnóstico é baseado nos sintomas do paciente, mas deve ser confirmado com a realização de exames complementares. A endoscopia digestiva alta é o exame de investigação inicial. Nela é freqüente encontrarmos a presença de hérnia de hiato e esofagite de refluxo (queimação do esôfago causada pelo refluxo de ácido). Entretanto, outros exames atualmente são utilizados para o diagnóstico preciso de refluxo. A manometria esofágica, mede a pressão dentro do esôfago, normalmente detecta a hipotonia ou fraqueza do esfíncter inferior do esôfago. Outro exame importante é a pH metria de 24 horas. Apesar de ser um exame um pouco desconfortável de ser realizado, pois o paciente permanece com uma pequena sonda dentro do esôfago por 24 horas, é fundamental pois permite a divisão entre refluxo fisiológico (normal) e o refluxo excessivo, ou seja patológico.

A evolução depende de vários fatores. De modo geral, o refluxo tende a piorar com o tempo. Entretanto, pacientes que tratam adequadamente e mudam alguns hábitos alimentares pode ficar assintomáticos durante longos períodos. Já aqueles que não tratam/acompanham adequadamente podem apresentar complicações como úlcera e estenose do esôfago. Em poucos casos, a inflamação crônica pode levar ao aparecimento de esôfago de Barrett (alteração da mucosa ou revestimento do esôfago), que predispõe ao câncer de esôfago.

Tratamento  

O tratamento pode ser dividido em medidas comportamentais, tratamento medicamentoso e tratamento cirúrgico.

  • Tratamento medicamentoso

A utilização de medicamentos que bloqueiam a produção de ácido dentro do estômago, e consequentemente diminui o refluxo de ácido para o esôfago, são as principais medidas de tratamento farmacológico. O tratamento geralmente é realizado por 4-8 semanas. A maioria dos pacientes melhora significativamente dos sintomas. Após o termino da medicação os pacientes devem ser observados. Muitos pacientes ficam sem sintomas durante longo período. Já alguns pacientes voltam a apresentar sintomas logo após a parada da medicação. Nestes casos, um conversa com um médico especialista é fundamental para definir que a melhor conduta. Pode-se optar por manter o paciente em tratamento medicamentoso de forma continuada ou discutir a possibilidade do tratamento cirúrgico

  • Tratamento cirúrgico

Seu médico poderá ajudá-lo a decidir se a operação é a melhor opção para seu caso. Esta decisão deve ser tomada após considerar alguns dados como: tempo que o paciente apresenta refluxo, intensidade e freqüência dos sintomas. Além disso, a percepção do paciente deve sempre ser levada em consideração, ou seja se o paciente tem preferência por tomar medicação mais continuamente ou a ser submetido a um procedimento cirúrgico que elimina definitivamente os sintomas da doença.

A operação é realizada com anestesia geral e consiste na correção da hérnia de hiato (fechamento da abertura exagerada do hiato diafragmático pelo qual passa o esôfago com alguns pontos) e confecção de uma válvula para conter o refluxo. A válvula é realizada com o próprio estômago ao redor do esôfago, sem que nenhum material estranho seja utilizado.

Na maioria dos casos este procedimento pode ser realizado por videolaparoscopia (“operação dos furinhos”), evitando assim uma grande incisão no abdome. Os benefícios desta abordagem minimamente invasiva são menor dor pós-operatória, menos complicações, retorno mais precoce as atividades e melhor resultado estético. Incialmente é injetado gás carbônico no interior do abdome do paciente com objetivo de criar espaço. Na sequencia uma câmera acoplada a um monitor e os pequenos instrumentos são introduzidos pelas pequenas incisões permitindo a visualização dos órgãos e realização do ato cirúrgico.

Vantagens e riscos

Quando realizado por laparoscopia, a maioria dos pacientes fica internada no hospital somente 1 dia e pode retornar as atividades regulares em 1 a 2 semanas. Os atributos mais valorizados do procedimento são:  Pouca dor pós-operatória, resolução completa e definitiva dos sintomas e risco pequeno de infecção e outras complicações.

Apesar dos resultados cirúrgicos serem excelentes, alguns pacientes podem ter complicações, como em qualquer procedimento cirúrgico. As complicações incluem conversão para cirurgia convencional (“corte”), lesão de vísceras e anestésicas entre outras.

Pós-operatório

Após a  cirurgia anti-refluxo é importante que o paciente tome alguns cuidados. Como o esôfago é manipulado, os pacientes tendem a apresentar dificuldade de deglutição. A duração da dificuldade é variável, geralmente de poucos semanas. Por este motive, os pacientes são orientados a ingerirem inicialmente apenas dieta líquida. A medida que o paciente percebe pouco desconforto, gradativamente progride-se a dieta para liquida-pastosa, pastosa e assim por diante.

  •  Dieta liquida inicialmente, e aumento da consistência dos alimentos de forma lenta e progressiva
  •  Carne e alimentos secos e sólidos devem ser ingeridos apenas algumas semanas/meses após a cirurgia
  •  Deve-se evitar bebidas com gás
  •  Evitar levantar peso

É normal os pacientes apresentarem um pouco de sensação de estufamento após a cirurgia, causado por diminuição da capcidade gástrica. Em geral, este quadro é leve e temporário. Assim como é frequente apresentarem dificuldade de eructar e vomitar.

Se você é portador de refluxo é importante procurar um profissional capacitado para ter acesso a orientações  completas e precisas. O objetivo deve ser  individualizar a conduta e o tratamento de acordo com seu caso.