A obesidade cresce exponencialmente no mundo todo. Os dados são alarmantes e em países como os Estados Unidos hoje em dia cerca de 32% das crianças/adolescentes entre 2 e 19 anos estão acima do peso e 17% são obesas (ou seja tem pelo menos  o dobro do peso que deveriam ter). Isto traz diretamente a estas crianças efeitos nefastos no seu desenvolvimento físico e na propagação de doenças antes exclusivas de adultos. Nossas crianças obesas estão se tornando hipertensas, diabéticas, desenvolvendo gordura no fígado, problemas cardíacos e mesmo alguns tipos de câncer precocemente, o que lhes diminui a expectativa de vida em até 20 anos. A parte de todos os problemas físicos, evidentemente a obesidade provoca uma outra série de consequências afetivas e psicológicas.
Estamos diante de um grande problema de solução muito complexa. Não se pode simplesmente considerar todas as crianças obesas candidatas a um tratamento cirúrgico da obesidade.  Os adultos para serem operados, precisam de uma preparação adequada, cumprindo critérios cada vez mais exigentes: tentativas prévias com tratamentos medicamentosos e comportamentais; comprovação de obesidade mórbida por pelo menos 5 anos; engajamento com equipe multidisciplinar entre outros. Para as crianças, estes critérios, que ainda estão em fase de desenvolvimento são obviamente muito mais restritivos. Crianças que ainda não atingiram sua maturidade óssea ou hormonal e sua altura definitiva não devem ainda ser consideradas candidatas; aqueles sem a mínima condição de compreensão do processo a que serão submetidas, tampouco. Além disto, um ponto fundamental é a compreensão  e engajamento da família. Enquanto o adulto, pode escolher livremente seu destino, independente do que for decidido pela família, a cirurgia de obesidade para uma criança depende muito do que pensam e de quanto serão capazes os pais de se envolverem no tratamento.
Estamos em fase de adaptação de um tratamento que sabemos que dá certo para os adultos, para ser instituído nas crianças. Especialmente para elas, precisa-se pensar de forma menos agressiva possível.
Como médicos não podemos ficar parados, acompanhando a deterioração da saúde de crianças obesas sem fazer eventualmente o que precisa ser feito. Antes da cirurgia, sempre o tratamento com orientação, dieta, atividade física e suporte psicológico. Mas quando os resultados não aparecem, certamente deve-se fazer algo mais contundente como medida salvadora.
Estão sendo criados serviços especializados para tratar a criança obesa bariátrica, inclusive com médicos com formação específica como o pediatra bariátrico, que num certo momento não apenas vai ser o responsável por tratar a criança/ adolescente obeso, mas também fazer a transição deste paciente tratado para a vida adulta e garantir seu acompanhamento por equipes preparadas.